PROCEDIMENTOS

Doenças do Cérebro e do Crânio

Um tumor cerebral é um tumor intracraniano criado por divisões celulares anormais e descontroladas, normalmente das células do próprio cérebro (neurônios, células da glia (astrócitos, oligodendrócitos, células ependimárias), tecido linfático, vasos sanguíneos) , nos nervos cranianos (nas células de Schwann produtoras de mielina), nas dobras cerebrais (meninges, crânio, pituitária e glândula pineal), ou espalhado de um câncer primariamente localizado em outros órgãos (tumores metastáticos). Os tumores cranianos primários (que se originam no próprio encéfalo) das crianças geralmente se localizam na fossa craniana posterior, já nos adultos eles se localizam nos dois-terços anteriores dos hemisférios cerebrais, embora eles também possam afetar qualquer parte do cérebro.

Os sintomas iniciais variam bastante de acordo com a localização no encéfalo, desde uma simples cefaléia (dor de cabeça) até diminuição de força ou dorméncia em membros, diminuição da visão ou audição, mudança de comportamento, sensação de cheiros diferentes dentre outros.

O tratamento do tumor cerebral na grande maioria dos casos requer procedimento cirúrgico. Alguns podem ser tratados com medicamentos. A cirurgia é importante para diminuir a pressão que aquela massa expansiva exerce sobre o cérebro, bem como permitir o diagnóstico preciso da patologia através de exame histopatológico ou imuno-histoquímico e também para que haja continuidade no tratamento do paciente de maneira mais específica (quimioterapia / radioterapia) ou global (no caso de metástases).

Atualmente pode-se operar um tumor através da microcirurgia, de cirurgia trans-esfenoidal, de cirurgia endoscópica e de cirurgia estereotáxica.

O aneurisma cerebral é uma doença na qual um vaso sanguíneo encontra-se anormalmente dilatado no cérebro. A dilatação é causada por uma fraqueza da parede de uma artéria ou veia do cérebro.

O aneurisma cerebral é considerado perigoso pois, ao romper-se dentro da calota craniana, estrutura inelástica por natureza, produz um aumento da pressão intracraniana e podendo levar à morte.

O aneurisma cerebral pode ser congónito ou adquirido.

Os aneurismas podem resultar de defeitos congónitos, condições pré-existentes como pressão sanguínea alta e aterosclerose (o desenvolvimento de depósitos gordurosos nas artérias) ou trauma físico na cabeça. Os aneurismas cerebrais ocorrem mais comumente em adultos do que em crianças, mas podem ocorrer em qualquer idade. São um pouco mais comum em mulheres do que em homens.

Um pequeno aneurisma, em fase inicial não produz sintomas. Ao aumentar, o indivíduo pode ter sintomas como dor de cabeça, sensibilidade a luz, náusea, vômito e perda de consciência. Porém pode apresentar algum sintoma apenas ao romper.

A ruptura do aneurisma é perigosa e geralmente causa sangramento dentro do cérebro podendo causar morte. Está situação é um dos tipos de derrame cerebral.

A morte pode ocorrer se houver o comprometimento de áreas vitais como as de controle da respiração ou da pressão arterial.

O tratamento deve ser rápido e é cirúrgico, sendo realizado pelo neurocirurgião.

Existem duas formas básicas de tratamento: por microcirurgia e por via endovascular.

No tratamento por microcirurgia é realizada uma craniotomia e, no aneurisma são colocados clipes para aneurisma cerebral, que proporcionam a oclusão do mesmo a fim de evitar que o aneurisma rompa ou que surja um resangramento.

O tratamento endovascular é realizado através de uma punção numa artéria da virilha.O aneurisma é acessado através de cateteres apropriados, e então enche-se o aneurisma com uma ou várias molas com o intuito de permitir que o sangue circule normalmente pela artéria e não mais encha o aneurisma, evitando, assim, seu rompimento.

O prognóstico para um paciente de aneurisma cerebral depende da extensão e da posição do aneurisma, da idade da pessoa, da saúde geral e da sua condição neurológica. Alguns indivíduos com um aneurisma cerebral morrem do sangramento inicial. Outros indivíduos recuperam com quase nenhum déficit neurológico.

Dentro do encéfalo existem quatro cavidades preenchidas por um líquido, chamado líquido céfalo-raquidiano ou líquor, que serve para nutrir as células cerebrais, eliminar substâncias tóxicas e serve como amortecimento cerebral.

Quando há aumento da produção ou dificuldade na drenagem deste líquido (inclusive por obstrução), pode ocorrer o aumento destas cavidades, que são chamadas de ventrículos, constituindo a hidrocefalia.

Pode aparecer em crianças logo ao nascimento, em adultos, ou iniciar apenas em pessoas idosas, por causas totalmente diferentes. O tratamento pode ser realizado com medicamentos ou com cirurgia, de acordo com o caso. A cirurgia se faz através da colocação de um cateter dentro do ventrículo que será conectado a uma válvula e daí a outro cateter que fica no coração ou mais comumente no abdome. Outra técnica se faz através da cirurgia endoscópica.

O nervo trigêmeo tem sua origem no tronco encefálico e tem um componente motor e três sensitivos. A sensibilidade da face é realizada por esse nervo.

Quando há uma dor num lado do rosto em forma de choque que dura alguns segundos, pode entrar no diagnóstico de neuralgia do trigêmeo. Geralmente é causada pela pulsação de uma artéria ou veia em cima do nervo, mas também pode ser causada por tumor ou esclerose múltipla.

O tratamento inicial se faz com uso de medicamentos. Caso não se obtenha sucesso, a cirurgia pode ser realizada através de rizotomia do nervo trigêmeo através da face ou por compressão por balão. A técnica mais empregada, entretanto, é a descompressão do nervo através de microcirurgia.

Espasmo Hemifacial

O espasmo hemifacial ocorre de maneira semelhante à neuralgia do trigêmeo, porém a compressão por uma artéria ou veia ocorre sobre o nervo facial.

Os sintomas são contraturas espasmódicas intermitentes, indolores e involuntárias de um lado do rosto. Persiste durante o sono.

O tratamento é realizado através de descompressão nervosa por microcirurgia.

O acidente vascular cerebral (AVC), ou Acidente vascular encefálico (AVE), vulgarmente chamado de "derrame cerebral", é caracterizado pela interrupção da irrigação sanguínea das estruturas do encéfalo, ou seja, ocorre quando o sangue que sustenta o cérebro com oxigênio e glicose deixa de atingir a região, ocasionando a perda da funcionalidade dos neurônios. É uma doença de início súbito, que pode ocorrer por dois motivos: isquemia ou hemorragia.

O primeiro tipo, e o mais comum deles, e devido à falta de irrigação sanguínea num determinado território cerebral, causando morte de tecido cerebral - é o AVE isquêmico.

AVE isquêmico transitório - clinicamente, corresponde a uma isquemia passageira que não chega a constituir uma lesão. É um episódio súbito de deficit sanguíneo com manifestações neurológicas, que se recuperam em minutos ou em 24 horas. Constitui um fator de risco muito importante, devendo ser considerado importante prevenção de isquemias severas.

O AVE hemorrágico é menos comum, mas não menos grave, e ocorre pela ruptura de um vaso sanguíneo intracraniano, levando à formação de um coágulo que afeta determinada função cerebral.

O processo de reabilitação pode ser mais ou menos longo, dependendo das características do próprio AVE, da região afectada e do apoio que o doente tiver.

O sistema nervoso central todo pode ser acometido por esta doença e ele inclui, além do cérebro, o tronco encefálico, o cerebelo e até a medula espinhal. Dependendo da região atingida, os sintomas e as sequelas são diferentes.

Assim o lobo frontal está mais ligado às decisões e movimentos, o parietal com os movimentos e a sensibilidade do pescoço para baixo e com parte da fala e o occipital com a visão. O cerebelo está ligado com o equilíbrio e o tronco cerebral com a respiração e os movimentos e sensibilidade do pescoço para cima. Claro que isto é uma explicação básica e deve-se ter em mente que todo sistema nervoso está interligado podendo uma lesão em uma mínima parte ter grandes repercussões no todo e suas implicaçõees e a localização da lesão podem ser difíceis de diagnosticar, devendo a pessoa acometida ser avaliada por um médico.

Na parte da evolução temos 3 tipos de AVE, os que não deixam sequela nenhuma já no mesmo dia que acontece, os que não deixam sequelas mas duram mais de um dia e os que deixam sequelas. Quanto a este último, quando associado a deficits motores necessita de um acompanhamento fisioterápico e fonoaudiologico para potencializar e fortalecer os músculos que ainda possuem a inervação funcionante para assim diminuir as deficiências que podem ter sido causadas; no caso de problemas na fala um fonoaudiólogo pode ser necessário.

De qualquer forma, o AVE é uma doença que merece muita atenção pela dependência e alteração da vida que pode causar e a melhor maneira de lidar com ela é preveni-la controlando todos os fatores causais já citados, novamente mencionando que a principal é a hipertensão arterial sistêmica.

O melhor tratamento para o AVE é a prevenção, identificar e tratar os fatores de risco, como a hipertensão, aterosclerose, o diabete melito, o colesterol elevado, cessar o tabagismo e o etilismo, além de reconhecer e tratar problemas cardíacos.

Acredita-se que um tratamento com trombolíticos, geralmente a estreptoquinase, pode ser usado na fase aguda do AVE isquêmico para dissolver o coágulo que causou a isquemia. Contudo, este medicamento só deve ser dado desde que o paciente que sofreu o AVE isquêmico chegue ao hospital dentro de três horas. Após essa fase inicial de instalação, além de trombólise não ser mais eficiente, ela pode ser perigosa pois pode levar a uma reperfusão de um tecido necrótico, transformando o AVE isquêmico num acidente também hemorrágico, que pode levar à morte ou sequelas mais graves.

O tratamento mais atual para o AVE isquêmico é a cirurgia endovascular, onde o vaso sanguíneo obstruído por ser aberto através de angiopplastia e/ou uso de medicamentos dentro deste. Porém necessita que haja uma equipe endovascular e neurocirurgica pronta para realizar o procedimento em no máximo três horas do início do evento.

A malformação de Chiari é uma patologia dividida em quatro tipos.

O tipo I consiste na descida da tonsila cerebelar pelo forame magno, sendo o Ia congênito e Ib adquirido por trauma, aracnoidite basal, punções lombares, derivação ventrículo-peritoneal, etc.

O tipo II consiste na descida do vérmis cerebelar e parte inferior do tronco encefálico pelo forame magno. Geralmente associada a hidrocefalia e mielomeningocele.

O tipo III é a forma mais grave. Marcada pelo deslocamento de estruturas da fossa posterior, com herniação do cerebelo através do forame magno para dentro do canal cervical. Associada e encefalocele suboccipital ou cervical alta. Geralmente incompatível com a vida.

Tipo IV é a hipoplasia cerebelar sem herniação cerebelar.

O sintoma mais comum é a dor, especialmente cefaléia occipital. A fraqueza também é proeminente.

Apresenta-se na forma de síndromes: compressão do forame magno, medular central e cerebelar.

O exame de escolha para o diagnóstico é a ressonância magnética do encéfalo.

A cirurgia é reservada para os pacientes sintomáticos e apresenta melhores resultados quando realizada nos primeiros dois anos de sintomas. O principal benefício da cirurgia e evitar a progressão da doença, porém as queixas de cefaléia podem diminuir.


Doenças da Coluna Vertebral

As vértebras da coluna vertebral são separadas entre sí por almofadas que permitem a mobilidade e o amortecimento da coluna, chamads de disco intervertebral. Cada disco é formado por uma parte central que é o núcleo pulposo, sendo circundado um tecido fibro-cartilaginoso.

Quando há o deslocamento deste disco de sua posição original, é chamado hérnia de disco. As hérnia de disco podem ocorrer nas colunas cervical, lombar ou torácica, sendo mais comuns nas duas primeira por serem regiões mais móveis.

A hérnia de disco cervical tem maior gravidade pelo risco de compressão tanto de raízes nervosas para os membros superiores quanto da medula espinhal. A medula espinhal é uma estrutura nervosa composta por todas as fibras motoras e sensitivas para os membros superiores, inferiores e vísceras. Por isso, no caso de uma compressão, pode ocasionar desde dor e dormênciac a paralisia de membros, havendo casos de morte se a compressão for traumática e na coluna cervical alta.

A hérnia de disco lombar pode causar dor nesta região e com irradiação para os membros inferiores, estando associada a parestesias (dormência). Pode evoluir com dificuldade para andar e sentar, inclusive com alterações esfincterianas.

A morte pode ocorrer se houver o comprometimento de áreas vitais como as de controle da respiração ou da pressão arterial.

O tratamento geralmente é conservador, ou seja, através de medicamentos e fisioterapia motora adequada e selecionada, realizada por fisioterapêutas experientes no tratamento da doença da coluna vertebral. A cirurgia é reservada para um segundo plano na grande maioria dos casos, porém pode ser a primeira indicação em alguns pacientes com hérnia extrusa ou compressão importante da medula espinhal.

As vértebras da coluna vertebral são separadas entre sí por almofadas que permitem a mobilidade e o amortecimento da coluna, chamads de disco intervertebral. Cada disco é formado por uma parte central que é o núcleo pulposo, sendo circundado um tecido fibro-cartilaginoso.

Quando há o deslocamento deste disco de sua posição original, é chamado hérnia de disco. As hérnia de disco podem ocorrer nas colunas cervical, lombar ou torácica, sendo mais comuns nas duas primeira por serem regiões mais móveis.

A hérnia de disco cervical tem maior gravidade pelo risco de compressão tanto de raízes nervosas para os membros superiores quanto da medula espinhal. A medula espinhal é uma estrutura nervosa composta por todas as fibras motoras e sensitivas para os membros superiores, inferiores e vísceras. Por isso, no caso de uma compressão, pode ocasionar desde dor e dormênciac a paralisia de membros, havendo casos de morte se a compressão for traumática e na coluna cervical alta.

A hérnia de disco lombar pode causar dor nesta região e com irradiação para os membros inferiores, estando associada a parestesias (dormência). Pode evoluir com dificuldade para andar e sentar, inclusive com alterações esfincterianas.

A morte pode ocorrer se houver o comprometimento de áreas vitais como as de controle da respiração ou da pressão arterial.

O tratamento geralmente é conservador, ou seja, através de medicamentos e fisioterapia motora adequada e selecionada, realizada por fisioterapêutas experientes no tratamento da doença da coluna vertebral. A cirurgia é reservada para um segundo plano na grande maioria dos casos, porém pode ser a primeira indicação em alguns pacientes com hérnia extrusa ou compressão importante da medula espinhal.

Espondilolistese significa escorregamento de uma vértebra sobre outra e acontece quando um ou mais dos elementos responsáveis pelo encaixe (estabilidade ) entre as vértebras não estão funcionado corretamente. É comum principalmente nas pessoas abaixo de 40 anos. Pode estar asociada a espondilólise que é uma falha na parte interarticular da vértebra.

Geralmente cursa com dor lombar, principalmente à mobilização da coluna, mas pode cursar com dor ciática e dormência em membros inferiores.A dor pode ser incapacitante.

O tratamento inicial geralmente é conservador, ou seja, sem cirurgia. Quando esta é indicada, é realizada uma estabilização do segumento com parafuso e haste.

O canal vertebral é a cavidade por onde passa a medula espinhal nas colunas cervical, torácica e tóraco-lombar, e as raízes nervosas na coluna lombar. O estreitamento deste canal (estenose) levará a compressão destas estruturas nervosas.

Num processo de envelhecimento ou degenerativo da coluna, isso ocorre por um abaulamento do disco intervertebral, pelo crescimento ósseo (hipertrofia facetária) para dentro do canal ou por hipertrofia (espessamento) do ligamento amarelo, ou pela associação destas.

Na região cervical pode levar a dificuldade na marcha (ataxia) e quadro de mielopatia com dificuldade na mobilização dos quatro membros.

Quando ocorre na região lombar, há dor com irradiação para membros inferiores que piora com a caminhada (claudicação neurogênica) e que alivia ao sentar (principalmente curvando para frente) ou deitar.

O tratamento conservador é sempre tentado no início. Caso os sintomas persistam por longo tempo ou a dor se tornar insuportável, a despeito do tratamento realizado anteriormente, a cirurgia passa a ser cogitada.

O forame intervertebral é um buraco lateral entre as vértebras, formado pelo pedículo da vértebra superio e pelo pedículo e faceta superior da vértebra inferior. Existe tanto a síndrome da estenose foraminal quanto a síndrome do recesso lateral.

Quando ocorre hipertrofia da faceta, há um estreitamento deste canal.

O quadro clínico é de uma síndrome radicular, ou seja, dor e dormência no território da raiz nervosa que sai por este forame e que está sendo comprimida.

O tratamento conservador pode ser tentado. A cirurgia fará a descompressão do canal, liberando a raiz nervosa.

Uma das lesões congênitas mais comuns da medula espinhal é causada pelo fechamento incompleto do canal vertebral (coluna vertebral). Quando isso acontece, o tecido nervoso sai através desse orifício, formando uma protuberância mole, na qual a medula espinhal fica sem proteção. Isto é denominado espinha bífida posterior e, embora possa ocorrer em qualquer nível da coluna vertebral, é mais comum na região lombossacra.

A denominação Mielomeningocele significa a protusão da bolsa subcutânea contendo tecido nervoso central, ou seja, a medula espinhal lesada com raízes nervosas.

Muitos fatores podem causar a espinha bífida, entre eles estão as causas genéticas, cromossômicas e ambientais. Os principais fatores de risco são o aparecimento de outros casos dessa deficiência na família e a idade avançada da mãe ou do pai.

A falta de proteção da medula espinhal causada pela espinha bífida resulta em deficiências neurológicas, com distúrbios sensitivos (falta de sensibilidade e de movimentos) e ortopédicos (malformações ósseas), geralmente nos membros inferiores. A falta de controle das funções intestinal e urinária e a hidrocefalia estão presentes em 80 por cento dos casos de mielomeningocele.

Uma das condutas iniciais para um recém nascido com mielomeningocele é o fechamento cirúrgico da lesão com pele. A avaliação da hidrocefalia é uma emergência na assistência ao bebê.

O líquido cefalorraquidiano (LCR) origina-se no cérebro, circula através das cavidades cerebrais e por vias circulatórias deixa o cérebro e a medula espinhal, sendo absorvido pela circulação sanguínea.

Quando a espinha bífida causa um bloqueio parcial ou total do fluxo liquórico, se houver aumento de produção, pode haver acréscimo de volume do LCR ou dificuldade na sua reabsorção. Nestes casos há elevação da pressão do líquor no cérebro, com aumento do perímetro cefálico (cabeça), denominado de Hidrocefalia.

O tratamento da hidrocefalia é uma emergência neurocirúrgica e inclui a monitorização das cavidades cerebrais (ventrículos) através de ultra-som, tomografia ou ressonância magnética e a derivação ventricular. Esta consiste na instalação de um tubo fino na cavidade cerebral que redireciona o líquor ao coração ou à cavidade abdominal. Após a introdução desta derivação, torna-se necessária a monitorização temporária das estruturas.

A maior parte das crianças com mielomeningocele não possui controle esfincteriano (controle urinário e intestinal). Estas, com orientação adequada, podem beneficiar-se de um programa de cateterização (introdução de um cateter para esvaziamento da bexiga) não contínua, sob supervisão médica para prevenir complicações urológicas. As crianças com cerca de 5 anos podem ser ensinadas sobre a autocateterização caso a percepção motora esteja razoavelmente preservada.

Quanto ao funcionamento intestinal, este pode ser cuidado com os métodos de programas intestinais tradicionais: adequação da dieta, utilização de medicamentos e planejamento de um horário regular de evacuação.

A criança com mielomeningocele pode apresentar graus variáveis de paralisia e ausência de sensibilidade abaixo do nível da lesão medular, com preservação da parte superior do abdome, tronco e braços.

Torna-se importante a assistência precoce em reabilitação para prevenção das deformidades ortopédicas: pé torto, deslocamento do quadril, diminuição das amplitudes articulares, deformidades no tronco (cifoscoliose), entre outras.

A sensibilidade também pode ficar prejudicada (sensação de pressão, fricção, dor, calor, frio), por isso é importante ter cuidado com a temperatura da água durante o banho, não utilizar calçados apertados e examinar sempre os membros inferiores, especialmente os pés, em busca de possíveis ferimentos.

A ausência de sensibilidade pode ocasionar lesões na pele, denominadas úlceras de pressão (escaras) que podem ser prevenidas com constantes mudanças de posição corporal e manutenção da higiene da pele.

Considerando que podem haver diferentes graus de comprometimento do sistema motor, sensitivo, renal e da hidrocefalia, o prognóstico de reabilitação é particular para cada criança. A atenção precoce (tratamentos clínicos e de reabilitação, atenção aos familiares) determinam um maior grau de autonomia e independência da criança e sua inclusão social.

Siringomielia é quando ocorre uma cavitação cística na medula espinhal. Geralmente associada com malformação de Chiari tipo I. Pode ser causada por trauma.

Os sintomas são bastante variáveis e aparecem ao longo de muitos anos.

A ressonância magnética é o melhor exame para o diagnóstico.

Existem vários tipos de cirurgias descritas para tratar a siringomielia, porém a eficácia varia de caso a caso.

A Nucleoplastia é um novo tipo de tratamento para a hérnia discal (cervical , dorsal e lombar) contida e em casos selecionados de degeneração discal lombar (discopatia dolorosa). Na nucleoplastia o disco intervertebral não é retirado, mantendo sua função primordial de “amortecedor”.

Trata-se de um tratamento minimamente invasivo, onde não são realizados cortes nem há a necessidade de internação, sendo uma alternativa ao tratamento cirúrgico convencional na falha de tratamento conservador. Os resultados clínicos são bastante promissores, pois aliviam imediatamente as dores lombares em 70% a 80% dos pacientes.

É uma terapia realizada em regime ambulatorial, em que um cateter de um milímetro de diâmetro é introduzido no interior do disco. Esse cateter transmite ondas de radiofreqüência específica que remove (coblação) e aquece o disco de maneira controlada, com o objetivo de descomprimir e promover a contração interna do disco.

Na grande maioria dos casos o paciente tem alta após a recuperação da sedação anestésica, sendo orientado à não realizar esforços por alguns dias. Gradualmente o paciente é motivado ao retorno às suas atividades habituais, tanto no trabalho como no dia a dia.

A chamada vertebroplastia percutânea é uma técnica cirúrgica minimamente invasiva (com baixa agressividade) que consiste na introdução de cimento ósseo ortopédico diretamente no corpo de vértebras com lesões (fraturas) provocadas principalmente pela osteoporose ou por tumores, como o Mieloma Múltiplo.

Essa técnica teve seu início na década de 90, sendo aplicada no Brasil desde 1997 em diversos centros de cirurgia da coluna vertebral. É um procedimento realizado de forma ambulatorial ou com internação mínima (24hs), geralmente sob anestesia local assistida por anestesista sob efeito de sedação, podendo ser realizada em pacientes idosos e com patologias clínicas associadas comum aos pacientes com lesões de coluna relacionadas à osteoporose avançada. A dor melhora ou mesmo desaparece em até 95% dos pacientes, variando dependendo da patologia e status ósseo geral do paciente.


Doenças dos Nervos Periféricos

A meralgia parestésica é uma condição causada pela compressão do nervo cutâneo femoral lateral da coxa, que é puramente sensitivo, no local onde ele penetra na coxa, entre o ligamento inguinal e sua fixação à crista ilíaca ântero-superior.

Cursa com ardência na face lateral da parte superior da coxa, podendo ir até o joelho, podendo haver sensibilidade aumentada às roupas (hiperpatia). Sentar-se ou deitar de barriga para baixo geralmente melhora os sintomas. A extensão do quadril pode causar dor.

Geralmente ocorre em pessoas obesas, e com maior incidência em diabéticos. Pode piorar por uso de cintos apertados, por períodos prolongados de pé ou caminhando.

Pode haver melhora espontânea. Caso não ocorra ou haja recorrência dos sintomas, iniciar tratamento medicamentoso, reservando-se a cirurgia para o último momento.

A hiperidrose é uma condição caracterizada pela transpiração abundante localizada principalmente nas axilas, mãos, face e pés.

O suor abundante pode acometer outras partes do corpo como o tronco e o couro cabeludo.

Os sintomas são muito angustiantes, acarretando enormes prejuízos sociais, profissionais e, sobretudo, psíquicos aos seus portadores.

Trabalhar com documento de papel, ou simplesmente segurar a mão do(a) namorado(a) pode se tornar algo constrangedor.

Começam a aparecer na infância e permanecem o resto de sua vida e o agravamento dos sintomas ocorre, geralmente, na puberdade.

Existem dois tipos de tratamentos para a hiperidrose: o temporário ou paliativo, e o definitivo ou cirúrgico.

Nos tratamentos paliativos utilizam-se várias técnicas, ou seja, por meio de desodorantes, iontoforese, medicamentos, ou injeção de toxina botulínica.

Nos tratamentos definitivos ou cirúrgicos para a hiperidrose temos principalmente: a retirada por lipoaspiração da região axilar das glândulas que produzem o suor, ou a simpatectomia torácica.

O procedimento cirúrgico de simpatectomia por cirurgia torácica vídeo-assistida é realizado de forma simples, sob anestesia geral que dura cerca de 60 minutos, através de duas pequenas incisões de 5mm de cada lado do tórax.

O paciente fica internado por um dia.

Atualmente, os médicos especialistas em cirurgia torácica e neurocirurgia são os cirurgiões que principalmente atuam no tratamento cirúrgico da hiperidrose.

Nem todos os pacientes com hiperidrose podem ser submetidos à cirurgia, principalmente nos casos de hiperidrose secundária que é decorrente de condições que levam ao aumento da atividade simpática (hipertireoidismo, menopausa, distúrbios psiquiátricos, síndrome paraneoplásica, obesidade, etc.) em que, normalmente, a sudorese acomete todo o corpo.

O resultado é imediato e de 97% para as mãos, 92% para as axilas, 96% para a face e 50% para os pés.

Porém, a longo prazo, o bom resultado da melhora da hiperidrose plantar pela simpatectomia torácica tende a diminuir para apenas 10 a 30 % dos casos. Em pequena parcela dos pacientes submetidos a simpatectomia torácica, a hiperidrose plantar pode vir a piorar ou a aparecer em pacientes que não a apresentavam previamente à simpatectomia.

Síndrome do túnel do carpo é o nome referido a uma doença que ocorre quando o nervo mediano, que passa na região do punho, fica submetido a compressão, originando sintomas de dormência e formigamento nas mãos, principalmente nas extremidades dos dedos indicador, médio e anular; em quase 2/3 dos casos é bilateral. Caracteristicamente esses sintomas ocorrem durante a noite, fazendo com que as pessoas tenham que levantar, movimentar as mãos ou mesmo coloca-las em imersão de água quente; algumas vezes pode surgir dor em todo membro superior (mão, antebraço e braço); também são frequentes as sensações de choques em determinadas posições da mão como segurar um objeto com força, segurar volante do carro ou descascar frutas e legumes. Com muita frequência as pessoas imaginam que estão tendo "derrame" ou "problemas de circulação" procurando assistência médica especializada nessa área. Esses sintomas de dormência e formigamento podem melhorar e piorar ao longo de meses ou até anos, fazendo com que o diagnóstico preciso e correto seja retardado.

Representa doença muito comum entre mulheres na faixa de 35 a 60 anos.

Nos casos em que o tratamento por imobilização do punho falhar ou naqueles nos quais o exame eletroneuromiográfico revelar compressão mais grave do nervo, devem ser submetidos à cirurgia. O objetivo da cirurgia é abrir o canal por onde o nervo passa, resolvendo o problema definitivamente na maioria dos casos. Quando o nervo fica comprimido muito tempo pode haver atrofia definitiva ("nervo atrofiado ou seco") com pouca recuperação mesmo após a cirurgia.

A compressão do nervo tibial posterior pode ocorrer no túnel tarsal, posterior e inferior ao maléolo medial. Pode haver uma história de fratura do tornozelo.

Os sintomas podem variar e são esperadas: dor em queimação, dormência, formigamento, parestesia, fraqueza muscular dos dedos do pé e na região plantar, sensação de peso no pé, rigidez matinal, dificuldade para deambular. O paciente em geral apresenta dor intensa, descrita como pulsante, ou com um intenso “ardor” na região plantar e nos dedos do pé. Pode ser provocada por ficar em pé muito tempo, ou por movimentos do tornozelo, podendo ocorrer também ao repouso e irradiar para perna.

Em geral os sintomas se agravam pela manhã ou pela noite.

O tratamento envolve diversas técnicas fisioterápicas. Se todas elas falharem a descompressão do nervo é o mais indicado.

Lesões agudas dos nervos periféricos estão freqüentemente ligadas ao trauma. As lesões traumáticas dos nervos periféricos são na maior parte das vezes associadas a traumas mais severos de outros tecidos, portanto devendo ser avaliadas em conjunto com outras especialidades médicas.

Elas resultam em considerável incapacidade ao redor do mundo, principalmente nos países envolvidos em conflitos militares ou civis. Em tempos de paz, os acidentes automobilísticos e com máquinas industriais são as principais causas.

Aproximadamente 3% dos pacientes politraumatizados apresentam lesão dos nervos periféricos. Quando os plexos e raízes são considerados, esse número cresce para 5%. Em lesões traumáticas do sistema nervoso central, até 30% dos pacientes podem apresentar lesão periférica associada. Devido à diminuição do estado de consciência, estas lesões são freqüentemente sub-identificadas.

O nervo radial é o nervo mais freqüentemente afetado nos membros superiores, seguido dos nervos ulnar e mediano. Os nervos dos membros inferiores são menos comumente lesados em traumas, sendo que o nervo ciático e fibular são os mais afetados. Lesões dos nervos tibial posterior e femoral são mais raras.

O tratamento adequado das injúrias dos nervos periféricos depende da correta localização e da estimativa da extensão da lesão. Além de uma história e exame físicos apropriados, a avaliação eletrofisiológica é fundamental para uma avaliação adequada da lesão.